Finanças Comportamentais: Racionalidade Com Uma Pitada de Realidade

Atualizado: 4 de Nov de 2019


Vamos começar esse texto com um exercício mental! Imagine as duas situações a seguir e reflita se você já passou por elas alguma vez na vida:

  1. Você acorda de manhã, olha pela janela e vê um dia de céu claro. Passa pela sua cabeça que pode chover, mas não há nenhum grande indicativo disso. Você então sai para a faculdade sem guarda-chuva. Na hora de voltar pra casa, começa a cair o mundo! Instantaneamente você pensa: “Sabia! Bem que eu achei que devia ter pego meu guarda-chuva!”

  2. Você está na cervejada da faculdade e fica alguns minutos do lado do bar. Nesse tempo, 10 pessoas escolhem e compram suas cervejas: 6 delas pedem aquela cerveja da garrafinha verde, 2 pedem aquela de latinha amarela e outras duas compram a de latinha prateada. Você, astuto como sempre, conclui: “Nossa, claramente os estudantes preferem a cerveja de garrafinha verde!”

Acredito que você se identifique com essas situações, mas nesse momento deve estar pensando o que isso tem a ver com finanças. Justo! Eu te explico!

As chamadas finanças tradicionais tem algumas premissas. Essas premissas são necessárias para que o modelo seja aplicável ao mundo real. Dentre as premissas mais fortes, está a de que os investidores agem sempre de maneira racional e levando em consideração toda a informação disponível. Como para todo modelo, ter premissas é necessário, mas será que elas são reais?

Uma teoria mais recente, a de finanças comportamentais, faz esse mesmo questionamento que fizemos acima: até onde somos racionais e a partir de que momento nossa humanidade passa a interferir nas nossas decisões financeiras. O behavioral finance (termo em inglês) prega, em suma, que somos humanos, falhos e que, apesar de todos termos uma parcela racional, todos temos também uma parcela irracional de pensamento, altamente influenciada pelas nossas experiências próprias, nossa vida nesse mundão. Esses “desvios” do pensamento financeiro racional são chamados de vieses comportamentais.

Nas duas situações do começo do texto, exemplificamos 2 dos vários vieses comportamentais que as finanças comportamentais listam. O primeiro é chamado de hindsight bias, ou viés retrospectivo (em tradução livre). O segundo é conhecido como representatividade.

Na primeira situação, quando nos deparamos com a chuva, temos a clara percepção de que sabíamos que ela iria acontecer apesar de não termos nenhum indício disso quando fizemos nossa previsão. A possibilidade de chuva passou pela nossa cabeça? De fato! Mas frente a um céu límpido, descartamos essa possibilidade – e junto com ela descartamos também o direito de dizer “Eu sabia!”.

A tradução dessa situação para o mundo das finanças: troque a chuva por ações de uma empresa e o céu por toda a informação disponível naquele momento sobre aquela empresa. Ou seja, você analisou a ação e nada te indicou que ela deveria se desvalorizar (cair, assim como a chuva, pegou?), mas assim que isso aconteceu, contra todos os indícios, você olha pelo retrovisor e acha que tinha previsto meramente por ser um dos cenários possíveis que você elencou inicialmente.

Na situação número 2, ficamos ao lado do bar por tempo suficiente para acompanhar os pedidos de míseras 10 pessoas! Esse número provavelmente não é uma amostra representativa nem da festa em que estamos, quanto mais do conjunto estudante!

Traduzindo para o universo financeiro: troque a cerveja por... cerveja! Afinal ninguém quer se desfazer da cerveja, certo? Imagine que você está pensando com comprar ações da Ambev e, para isso, resolveu ver qual é o tamanho do mercado para cada marca, avaliar a força de cada uma delas. Você sabe, racionalmente, que essa amostra pode não representar a realidade, mas, mesmo assim, faz (ou não) a compra baseado nessa pesquisa.

A parte mais legal das finanças comportamentais é que ela não se contrapõe às finanças tradicionais! O que ela propõe é que façamos adaptações no nosso modo de agir e pensar, já que sabemos que não somos seres 100% racionais, de modo a atingir os parâmetros das finanças tradicionais de modo mais natural.

O behavioral finance é um arcabouço teórico relativamente novo, complementar às finanças tradicionais, que lista erros cognitivos e vieses emocionais e sugere atitudes para minimizá-los ou saná-los de modo que o melhor resultado possível seja atingido sem uma luta constante com os seus instintos mais primitivos!

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