• Rubens Terra

Carreiras no Mercado Financeiro

Atualizado: 1 de Nov de 2019


Artigo originalmente escrito para o

Conselho Nacional das Ligas de Mercado Financeiro (CNLMF)

Se você está lendo esse artigo, provavelmente tem algum interesse em mercado financeiro, correto?! Pelo que percebemos no dia a dia, nos últimos anos mais pessoas tem procurado informações sobre o mercado financeiro e até começado a operar por conta própria, usando o próprio capital para comprar e vender ações, moedas e outros produtos. Com a possibilidade de usar um home broker para comprar e vender ativos, ficou muito mais fácil e barato acessar o mercado. Isso traz a necessidade cada vez maior de obter conhecimento sobre esse mundo.

Entre os jovens, há muita vontade de se preparar para trabalhar no mercado financeiro. Conforme muitas pessoas nas universidades passaram a se envolver profundamente com o tema, apareceram as ligas de mercado financeiro, com o objetivo de disseminar ainda mais a cultura do mercado financeiro nas universidades, além de potencializar a preparação de seus integrantes para os processos seletivos e, por que não dizer, para a vida. O Conselho Nacional das Ligas de Mercado Financeiro (CNLMF) foi fundado para ajudar a canalizar toda essa energia, disseminar boas práticas de gestão para a as ligas e facilitar o surgimento de novas ligas, indicando as diversas lições aprendidas em todas as experiências vividas.

Porém, apesar da enxurrada de informações disponíveis (que as vezes mais confundem do que ajudam), você ainda pode estar se perguntando: O que é o mercado financeiro, afinal? Para que ele serve? Qual é a diferença entre um trader e um broker? O que é buy-side e sell-side? O que é um private equity?

Podemos simplificar essas dúvidas em algumas perguntas: O que é e para que serve o mercado financeiro? Quais são as carreiras que posso seguir e como elas são?

O MERCADO FINANCEIRO

O mercado financeiro é um conjunto de agentes econômicos, que se organizam em ambientes que permitem a compra e venda de ativos. Ou seja, o mercado somos todos nós: empresas, pessoas, fundos de investimentos, bancos, seguradoras, governos, etc. Cada um desses agentes tem necessidades diferentes e podem, além disso, estar superavitários (com dinheiro na mão) ou deficitários (com dinheiro faltando). Se você é um agente superavitário, quer dar algum destino ao seu dinheiro, recebendo alguma remuneração por isso (ou seja, uma forma simples de pensar em uma situação dessas, é a de um agente que empresta seu dinheiro para outro agente, recebendo juros por esse empréstimo). Se você é um agente deficitário, você precisa pegar dinheiro emprestado e está disposto a pagar alguma quantidade de juros por isso. É nesse momento que o mercado financeiro se torna importante, realizando suas três principais funções:

O mercado financeiro permite empréstimos e investimentos, de forma que agentes superavitários consigam dar destino aos seus recursos, enquanto os agentes deficitários conseguem ter acesso a empréstimos.

Como quem empresta quer receber juros e quem pega emprestado está disposto a pagar juros, levando isso para o agregado no mercado (ou seja, considerando milhares ou milhões de transações de empréstimos/investimentos entre diversos agentes), o mercado financeiro permite que seja definida a taxa de juros de equilíbrio nas transações.

Por fim, com o desenvolvimento do mercado financeiro, o fluxo de capital é cada vez mais irrestrito e torna-se cada vez mais fácil o acesso a diferentes ativos. Dizendo isso de forma simples, você consegue comprar ações de empresas brasileiras, ações de empresas em Hong Kong, na Inglaterra, na Austrália, pode comprar moedas diversas (dólar neozelandês , rúpias, etc). Ou seja, se você consegue acessar ativos de forma muito simples, pode alocar seu capital da forma mais conveniente para você e o mercado financeiro permitiu a alocação eficiente do capital.

AS CARREIRAS

São muitas as carreiras que podem ser seguidas no mercado financeiro. Cada uma tem propósitos, dinâmicas e exigem habilidades diferentes. Aqui vamos falar de algumas, porém saiba que existem outras diversas carreiras e que a escolha da carreira irá impactar sua vida de forma importante. Vamos lá...

Trader

Talvez seja a carreira mais conhecida (e a que mais aparece em filmes sobre Wall Street). Mas, antes de explicar o que um trader faz, é importante dizer porque existe um trader, certo?! De forma simplificada, muitos agentes econômicos precisam dar destino aos seus recursos, que podem ter vindo de diversas fontes. Ou seja, estão com recursos à disposição e querem remunerar, extrair retorno desses recursos. O trader é o profissional que vai escolher o que fazer com essa grana para trazer retorno para a instituição (respeitando restrições da estratégia seguida), comprando e vendendo ativos como: ações, moedas, contratos futuros, opções, entrando em contratos de swaps, CDS, etc. O objetivo final é “comprar barato e vender caro” e ganhar dinheiro com isso. Os traders podem ser especializados em determinados tipos de ativos, ou podem ter liberdade para operar qualquer coisa que esteja disponível. Esse tipo de profissional pode trabalhar, principalmente, em tesouraria de empresas, de bancos, em hedge funds, ou podem operar de forma independente (para si mesmos). Costuma ser uma carreira que exige muito preparo técnico e emocional, além de ser estressante devido ao volume de recursos que o trader movimenta.

Analista de Ações no BUY-SIDE

Os analistas de ações do buy-side normalmente trabalham em fundos de investimentos, como hedge funds ou fundos de ações. Esses fundos captam recursos de clientes e fazem a gestão do capital desses clientes, sendo que o papel dos profissionais dos fundos é escolher ativos nos quais investir o dinheiro, para trazer o retorno esperado ao capital dos clientes. Para fazer a alocação desses recursos os analistas de buy-side se tornam estudiosos/especialistas em determinadas empresas e setores. O analista participa de eventos e congressos relacionados às empresas que acompanha, lê relatórios, visita plantas de produção, conversa com a equipe de relações com investidores das empresas, conversa com outros analistas, lê notícias sobre os setores e empresas, pede apoio a economistas para entender questões macroeconômicas que podem impactar o resultado das empresas estudadas, conhece as linhas de produtos das empresas e de seus concorrentes, etc. Além disso desenvolvem modelos de valuation para sustentar uma análise quantitativa e avaliar o preço justo das ações das empresas. Tudo isso é feito com o objetivo final de desenvolver uma tese de investimentos para cada empresa estudada, a ponto de decidir se deve-se ou não comprar ações daquelas empresas.

Analista de Ações no SELL-SIDE

Os analistas de sell-side também são estudiosos de determinadas empresas/setores. Porém não agem diretamente sobre informações comprando e vendendo ativos para clientes. Os estudos e teses de investimento são traduzidos em relatórios, que servem de insumo para a tomada de decisão de outros investidores (os analistas de buy-side, por exemplo, leem os relatórios dos analistas de sell-side). Dessa forma, o analista de sell-side age como um consultor, fornecendo informações bastante qualificadas, além de recomendações de investimentos aos seus clientes. Devido à característica da profissão, é importante que o profissional desenvolva alguma reputação ao longo da carreira, para que os outros agentes tenham confiança nas recomendações fornecidas por ele. Como forma de engajar os clientes e desenvolver bom relacionamento com eles é comum o sell-side ter um caráter comercial, mandando e-mails para clientes, ligando, visitando para conversar sobre investimentos, além de comumente organizarem eventos com executivos importantes (CEO’s, CFO’s, diretores de RI) das empresas estudadas. No início da carreira normalmente desempenham tarefas mais operacionais, ficando cada vez mais comerciais ao longo da vida profissional.

Analista de Private Equity

Um private equity é um tipo de instituição que capta recursos de clientes e compra participação em empresas, normalmente privadas (ou seja, compram uma porção das ações da empresa). Durante um período prolongado de tempo (normalmente 8-10 anos) o private equity aporta dinheiro, gestão e capacidade profissional na empresa. Usualmente, pessoas do private equity são também alocadas para trabalhar em posições estratégicas na empresa investida. O objetivo final é fazer a empresa a crescer aceleradamente no período de investimento, para que seja possível vender a participação em ações no futuro por um preço muito superior ao que foi destinado na sua compra, dessa forma remunerando os investidores. O processo possui várias etapas, que podem ser resumidas em: captação, prospecção de empresas para investimento, due diligence, investimento e reestruturação, terminando com o desinvestimento. Cada etapa exige trabalhos diferentes, como: contato com clientes para captação de recursos, estudos setoriais e específicos de empresas para definir as possibilidades de investidas, contato com as empresas e definição dos termos de investimento, estudo profundo das empresas possivelmente investidas e modelagem financeira, gestão durante o período de investimento, acompanhamento de indicadores e garantia da entrega das projeções iniciais, contato com compradores para o desinvestimento. O analista pode estar presente e rotacionar entre as diversas fases e atividades. Em geral, no início da carreira, o foco é em atividades operacionais e ligadas a estudos setoriais e modelos financeiros. Com a evolução na carreira é possível assumir posições estratégicas em investidas e ter mais contato comercial com C-levels das investidas, clientes e compradores.

Investment Banking (IB)

Um banco de investimento ou IB é uma instituição que auxilia empresas em questões societárias, reestruturações ou que envolvem a estrutura de capital. São processos como fusões e aquisições (M&A – Mergers and Acquisitions), emissões primárias de ações (IPO – Inicial Public Offering), emissões secundárias, emissões de títulos de dívida, etc. O IB age como uma instituição isenta em uma operação que envolve contrapartes com interesses conflitantes e tenta gerenciar as negociações para que sejam encontradas soluções que sejam aceitáveis para ambos os lados, fazendo com que as operações de fato aconteçam. Por exemplo, em uma aquisição, o comprador quer pagar o mais barato possível, enquanto o vendedor quer vender o mais caro possível. Nesse momento entra o IB. As atividades do profissional de IB podem ser diversas, como estudos setoriais e específicos de empresas, análises qualitativas para identificar sinergias em processos de fusões e aquisições, análises quantitativas e elaboração de modelos de valuation para auxílio em processos de fusões e aquisições, avaliação da estrutura de capital, etc. Aqui, assim como em outras carreiras, em geral no início da vida profissional você fica responsável por atividades operacionais e vai se envolvendo em atividades mais comerciais, conforme vai ficando mais sênior.

Como dito anteriormente, são muitas as carreiras que podem ser seguidas e esperamos ter esclarecido um pouco alguma delas. Infelizmente a disponibilidade a esse tipo de informação é bastante restrita e, muitas vezes, pouco didática e de difícil compreensão. Na Beat The Market Co. nós identificamos diversas dificuldades vividas por pessoas no início da vida profissional (pessoas começando a tentar definir a carreira, procurando o primeiro estágio, ou com poucos anos de formado) e organizamos conteúdo em um curso com o objetivo de te levar a um nível superior aos seus concorrentes, tanto em conhecimento do mercado financeiro e carreiras, como também no preparo para lidar com atividades do dia a dia de um profissional que trabalha com investimentos. Nossos professores são pessoas jovens, que trabalham há algum tempo no mercado financeiro, e que passaram recentemente pelas mesmas dificuldades que você está passando agora e, com isso, podem trabalhar esses pontos de forma assertiva durante as aulas.

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