• Rubens Terra

Análise Fundamentalista: O fantasma do Valuation

Atualizado: 1 de Nov de 2019


Publicado originalmente na revista Markets St.

Quando vemos jovens começando a se interessar pelo mercado financeiro, normalmente conseguimos identificar dois focos bastante distintos de interesse: no primeiro, o jovem padawan abre uma conta em uma corretora, lê um bom tanto sobre a análise gráfica e começa a fazer suas próprias operações de daytrade, de tape reading, etc. – em suma, mergulha de cabeça no mundo do trade. Na segunda possibilidade, o inexperiente Jedi do mundo das finanças tem contato com as teorias que norteiam tomadas de decisão mais ligadas a empresas e sua participação na economia real, ouve sobre mestres como Charlie Munger, Warren Buffet, Benjamin Graham e Luis Stuhlberger – e assim, mergulha de cabeça no mundo da análise fundamentalista.

O mito do Valuation. Enquanto as pessoas do primeiro grupo costumam buscar mais conteúdo sobre análise técnica, ouvem as recomendações de investimentos e ficam vidradas nas variações de preços dos ativos para não perderem oportunidades, as pessoas do segundo grupo vão prontamente atrás de um curso de equity valuation.

Mas será que ele é tudo o que é preciso saber para fazer uma boa análise fundamentalista de uma empresa? O objetivo final é, de fato, encontrar um preço justo?

Quando o barato sai caro. Imagine sua primeira aventura como analista de ações. Você fica responsável por defender a tese de investimentos (ou não) em uma empresa no setor de alimentos. Você coleta uma série de dados sobre a empresa, faz uma série de projeções de variáveis-chave, determina os fluxos de caixa livre da empresa pelos próximos, digamos, 10 anos, você encontra um valor residual adequado para a empresa ao fim dos 10 anos de projeção, determina uma taxa de desconto adequada para o risco incorrido. Fazendo mais umas continhas você encontra o tão desejado preço alvo. Para sua surpresa, o preço encontrado é 30% superior ao preço negociado no mercado (ou seja, a ação da empresa está “barata”). Você não pensa duas vezes e aloca 20% do patrimônio do fundo na ação. Em poucos meses o preço da ação despenca 40%. O que aconteceu?!

Garbage in – garbage out. Nos meses que sucederam a sua análise a empresa teve uma série de problemas. A comercialização de seus produtos foi interrompida por falta de cumprimento de restrições sanitárias. Elas foram impostas meses antes e a maior parte das empresas do setor se adaptou, porém a empresa em questão não fez os investimentos necessários para não comprometer os resultados financeiros de curto prazo. Da mesma forma, a empresa pouco fez para melhorar seus sistemas de controle para dar conta das mudanças na operação. Uma série de erros foi repassada aos demonstrativos financeiros. Para piorar, os gestores sabiam de tudo o tempo todo e esconderam diversas informações dos acionistas. Quando o problema se tornou público pararam de dar assistência aos acionistas.

It’s all about business! Claro que o valuation é uma parte importante do processo de análise, mas é uma parte. Para uma boa análise fundamentalista é importante ter em mente que ao comprar uma ação de uma empresa você se torna sócio dela, com uma pequena porção societária. Dessa forma, conhecer profundamente o negócio, assim como os gestores, responsáveis por agir em benefício dos acionistas, é essencial. Uma forma, bastante comum, de conduzir essa parte qualitativa da análise é usar como referência as 5 forças de Porter. Detalhar o método fica para outro momento.

Análise é uma ciência exata? Assim como a parte qualitativa abre espaço para diversas interpretações, também o faz o valuation. O preço alvo encontrado depende de uma série de hipóteses e projeções. Não se engane em achar que ele estará 100% certo. Não estará, essa é a única certeza.

RECEBA CONTEÚDO SOBRE O MERCADO FINANCEIRO

CLIQUE AQUI


190 visualizações
  • BTM Co. - Youtube
  • BTM Co - Linkedin
  • BTM Co - Facebook

Beat the Market Co.

CNPJ: 27.542.195/0001-58

WhatsApp: (11) 97527-4754

TEM DÚVIDAS?

A GENTE TIRA!